É muito comum que homens acima dos 50 anos, ao apresentarem dificuldade para urinar ou vontade frequente de ir ao banheiro, associem o sintoma imediatamente a câncer de próstata. Essa é uma preocupação compreensível, mas na maioria das vezes o motivo é outro: a hiperplasia prostática benigna (HPB), uma condição extremamente comum e que, como o nome já diz, não é câncer.
Neste artigo, explico o que é a HPB, por que ela compartilha sintomas com o câncer de próstata e como um urologista diferencia as duas condições.
A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, localizada abaixo da bexiga. Com o envelhecimento, é natural que ela aumente de tamanho — esse crescimento não canceroso é o que chamamos de hiperplasia prostática benigna. É uma condição extremamente frequente: estima-se que afete cerca de metade dos homens acima de 50 anos, e a grande maioria dos homens acima de 80 anos.
O problema não é o crescimento em si, mas a localização onde ele ocorre: a HPB se desenvolve na região mais central da próstata, exatamente onde passa a uretra — o canal por onde a urina é eliminada. Por isso, o aumento da glândula comprime esse canal e provoca sintomas urinários.
Os sintomas urinários da HPB tendem a ser progressivos, surgindo aos poucos ao longo dos anos:
Essa é a principal fonte de confusão — e de ansiedade — entre os pacientes. A resposta está na localização de cada condição dentro da próstata:
Na prática, isso quer dizer que a presença de sintomas urinários aponta com mais frequência para HPB do que para câncer — mas isso não elimina a necessidade de investigação, já que as duas condições podem, inclusive, coexistir no mesmo paciente.
Como os sintomas isolados não são suficientes para diferenciar HPB de câncer, a avaliação combina:
Não. A hiperplasia benigna não é considerada uma lesão precursora do câncer de próstata — são processos biológicos distintos que, coincidentemente, acontecem na mesma glândula à medida que o homem envelhece. Dito isso, é importante saber que um tumor de próstata pode, eventualmente, ser encontrado de forma incidental durante a investigação ou o tratamento cirúrgico da HPB — mais um motivo para que a avaliação urológica seja sempre completa, e não guiada apenas pelo sintoma mais óbvio.
Você deve buscar avaliação urológica se:
HPB é sempre benigna, mesmo sem tratamento? Sim, a HPB em si não se transforma em câncer. Porém, sem acompanhamento, pode evoluir e causar complicações urinárias, como retenção urinária, que exigem tratamento.
Se meu PSA está normal, posso descartar HPB e câncer? Não necessariamente. O PSA é uma ferramenta importante, mas não substitui a avaliação clínica completa, que inclui toque retal e, quando indicado, exames de imagem.
A HPB tem cura? A HPB pode ser controlada com medicação ou tratada cirurgicamente quando os sintomas são significativos ou há complicações. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e evitar complicações urinárias.
É possível ter HPB e câncer de próstata ao mesmo tempo? Sim. As duas condições podem coexistir, já que são processos biológicos independentes que ocorrem na mesma glândula. Por isso a avaliação urológica completa é sempre recomendada, mesmo quando os sintomas parecem "clássicos" de HPB.
A única forma segura de diferenciar as duas condições é através de avaliação médica individualizada, com exame físico e, quando necessário, exames complementares.
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Artigo escrito por Dr Romulo Nunes, urologista com foco em tratamento de próstata, câncer de rim e câncer de próstata. CRM 191387.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
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