Quando o câncer de próstata é diagnosticado ainda localizado na glândula, a cirurgia costuma ser uma das principais opções de tratamento com intenção curativa. Entre as técnicas disponíveis atualmente, a cirurgia robótica se tornou uma das mais utilizadas em centros especializados, por associar alta precisão a uma recuperação mais confortável para o paciente. Neste artigo, explico como funciona o procedimento, quando é indicado e o que esperar da recuperação.
A prostatectomia radical é o procedimento cirúrgico que remove completamente a próstata e as vesículas seminais — pequenas glândulas anexas responsáveis por parte da produção/armazenamento do sêmen. Quando há maior risco de disseminação da doença, os linfonodos pélvicos próximos também podem ser removidos na mesma cirurgia.
Na versão robótica, o cirurgião controla braços mecânicos equipados com instrumentos de alta precisão, a partir de um console dedicado, guiado por uma imagem tridimensional ampliada da região operada. Essa combinação de visão ampliada e movimentos precisos é o que diferencia essa abordagem e permite maior cuidado na preservação de estruturas próximas à próstata, como os feixes nervosos responsáveis pela ereção e a musculatura envolvida no controle urinário.
A cirurgia é realizada por pequenas incisões na região abdominal — geralmente entre 5 e 6 pequenos cortes — por onde são inseridos os instrumentos robóticos e a câmera. O tempo cirúrgico costuma variar entre 2 e 4 horas, dependendo da complexidade do caso. Ao final da remoção da próstata, é feita a reconexão entre a bexiga e a uretra, etapa fundamental para restabelecer o fluxo urinário normal.
A Prostatectomia Radical Robótica costuma ser indicada principalmente para:
A indicação final sempre depende de uma avaliação individualizada, considerando o estágio do tumor, o grau histológico (Gleason), a saúde geral do paciente e as expectativas em relação à recuperação funcional.
Como todo procedimento cirúrgico de grande porte, a prostatectomia radical robótica não é isenta de riscos, e alguns efeitos são esperados mesmo quando a cirurgia transcorre sem intercorrências:
A cirurgia robótica cura o câncer de próstata? Quando indicada para doença localizada, a prostatectomia radical tem alta taxa de sucesso no controle do câncer, especialmente quando diagnosticado em estágio inicial. O resultado depende de fatores individuais, avaliados caso a caso.
Cirurgia robótica dói mais que outras técnicas? Em geral, o desconforto pós-operatório tende a ser menor do que em abordagens mais invasivas, devido às pequenas incisões utilizadas.
Vou ficar incontinente após a cirurgia? Um grau de incontinência transitória é comum no pós-operatório imediato, com tendência de melhora progressiva ao longo dos meses. A recuperação completa da continência varia de paciente para paciente.
A cirurgia robótica afeta a vida sexual? Pode haver disfunção erétil temporária ou, em alguns casos, permanente, e ejaculação retrógrada (sem sêmen visível no orgasmo). A preservação dos nervos, quando clinicamente possível, melhora as chances de recuperação da função erétil.
Quanto tempo fico com a sonda após a cirurgia? Geralmente entre 5 e 7 dias, tempo necessário para a cicatrização da reconexão entre bexiga e uretra.
Cada caso exige avaliação individualizada, considerando o estágio da doença, características do tumor e expectativas de recuperação.
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Artigo escrito por Dr. Romulo Nunes, urologista com foco em tratamento de próstata, câncer de rim e câncer de próstata. CRM 191387/SP.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
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